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Uma sala de aula vazia, com filas de carteiras viradas para um quadro preto.
Fotografia: Ivan Aleksic / Unsplash

Cinco conversas num período

Duas delas implicam gravar uma criança e não devem acontecer sem o acordo expresso da tua escola. Nas outras três, não há nenhuma criança na gravação.

Reuniões com os encarregados de educação e entrega de avaliações

Doze minutos por família, vinte famílias num só fim de tarde, e à quarta já estás a reconstruir a segunda de memória. As notas contam: passam a ser o registo do que ficou combinado com a família.

Gravar com o acordo dos pais, ou ditar logo a seguir: qualquer das duas opções dá um registo melhor do que a versão escrita às dez da noite.

Na app: dita entre uma família e a seguinte, ou grava com consentimento, depois transcreve no dispositivo e resume em ações acordadas. Exporta para o sistema da escola e apaga do telemóvel.

Conversas de apoio e de acompanhamento

Uma reunião de apoio a um aluno, a revisão das necessidades educativas especiais (NEE) de outro, uma conversa difícil entre o diretor de turma e uma família. É o material mais sensível de uma escola, e o que tem de ficar registado com rigor, porque mais tarde alguém pode vir a apoiar-se nele.

Antes de aparecer um gravador, estas conversas precisam do acordo do responsável pela proteção de crianças e jovens. Todas as vezes.

Na app: se houver acordo, usa a privacidade avançada. O áudio é apagado assim que a transcrição existe e a sessão desaparece quando sais, por isso a voz da criança não fica meses guardada num dispositivo.

A tua planificação e reflexão sobre as aulas

Os dez minutos a seguir a uma aula, em que sabes exatamente o que não resultou, e as dez semanas depois, em que já não te lembras. A reflexão dita em voz alta é a versão que acaba mesmo por ser feita.

Nesta gravação não está mais ninguém, o que faz dela o caso mais simples da escola.

Na app: grava a caminho da sala de professores, transcreve mais tarde e, quando voltares a planificar a unidade no próximo ano letivo, faz uma pesquisa em todo o texto das reflexões de um período inteiro.

Gravar as tuas próprias aulas

Para o teu desenvolvimento profissional, para um orientador ou para um portefólio de formação. Gravar uma aula é também gravar uma turma de crianças, e é por isso que a maioria das escolas tem regras próprias sobre o assunto.

Quando é só áudio e está autorizado, é das ferramentas de desenvolvimento mais úteis que existem.

Na app: grava, transcreve e depois pesquisa na tua própria aula quantas vezes fizeste realmente perguntas abertas. A resposta costuma ser uma lição de humildade.

Reuniões de departamento e de professores

Adultos, assuntos de trabalho e uma ata que ninguém se oferece para fazer. Com os nomes dos oradores, noventa minutos transformam-se num documento em que cada tarefa tem um nome ao lado.

Na app: guarda uma vez a voz de cada colega, transcreve no dispositivo com identificação de oradores, resume em tarefas e envia o texto como já envias as atas.

Nas escolas, as ferramentas grátis raramente saem de graça

A educação é um dos setores a que o software é vendido com mais entusiasmo, e muito do que chega à sala de professores é grátis na hora de usar porque os dados têm valor noutro lado. Os dados das crianças têm um estatuto especial em quase todos os regimes de privacidade, precisamente porque as crianças não estão em condições de consentir verdadeiramente e porque as consequências as acompanham durante décadas.

A gravação de um aluno de catorze anos a explicar porque é que não tem dormido é a voz de uma criança a dizer uma coisa que ela talvez passe anos a desejar não ter dito, num formato que a identifica biometricamente.

O que significa uma ferramenta na nuvem numa escola

A escola passa a responder por um subcontratante que não escolheu e que provavelmente não avaliou. Nos termos do RGPD, isso implica um contrato, uma entrada no registo das atividades de tratamento, uma resposta sobre o prazo de conservação e, por vezes, uma avaliação de impacto sobre a proteção de dados. Nos Estados Unidos, ao abrigo da FERPA, a chamada exceção «school official» exige em geral que a escola mantenha o controlo direto sobre os registos educativos, coisa que uma conta na nuvem para particulares não lhe dá.

Na prática, a papelada fica por fazer e a gravação faz-se na mesma, na app que estava mais à mão.

O que o Just Transcribe faz de diferente

Não há subcontratante, porque nada é transferido. O modelo de voz corre no telemóvel ou no iPad, o áudio nunca sai de lá, e não há conta a que a voz de uma criança possa ficar associada.

O rótulo de privacidade da App Store diz «Dados não recolhidos». A app só se liga à internet duas vezes: para ir buscar um modelo que escolhes e para a compra.

Isto tira o fornecedor de cena. Não tira o dever da escola, as tuas obrigações de proteção de crianças e jovens, nem a necessidade de perguntar antes de gravar uma criança. O dispositivo passa a ser o sítio onde vive a voz de um aluno, e tem de ser tratado como tal.

Porquê o Just Transcribe

Os professores pagam software do próprio bolso mais do que qualquer outra profissão desta lista, por isso o preço e a simplicidade fazem parte do argumento, e não são uma nota de rodapé.

  • Nenhum subcontratante para a escola avaliar. Nada é transferido, por isso, para este passo, não há contrato, nem entrada no registo, nem lista de subcontratantes ulteriores.
  • Sem conta, por isso nenhuma voz de criança fica ligada a um nome de utilizador. Nada que possa sofrer uma violação de dados, nada onde iniciar sessão a partir de casa.
  • Privacidade avançada para conversas com alunos. O áudio é apagado assim que a transcrição existe, e a sessão desaparece quando sais do ecrã.
  • Funciona com o Wi-Fi da escola que não funciona. Tudo corre offline, o que em muitos edifícios escolares é a funcionalidade que decide.
  • Cinquenta e nove idiomas de transcrição. Útil numa escola onde as reuniões com os encarregados de educação decorrem em seis idiomas, e uma transcrição terminada é traduzida no dispositivo para cinquenta e cinco idiomas.
  • Resumos e tarefas, feitos localmente. A parte da reunião de que precisas mesmo, gerada no dispositivo.
  • EUR 9,99 uma vez. Sem subscrição, sem licença por utilizador, sem processo de aquisição e sem uma versão gratuita que se pague com dados.
Nada sobre um aluno é enviado, por isso, para este passo, a escola não tem subcontratante a avaliar nem transferência a justificar. O que torna curta a conversa com o teu encarregado da proteção de dados (EPD). Não torna automaticamente apropriado gravar uma criança.

O que verificar antes de gravares alguém com menos de dezoito anos

A tecnologia é a parte fácil. Esta tabela é a parte difícil, e é propositadamente pouco tranquilizadora.

Só para orientação. Decidem as regras da tua escola, com o parecer do encarregado da proteção de dados, e não esta tabela.
As regras da tua escolaEm primeiro e em último lugar. Muitas escolas proíbem pura e simplesmente que professores e funcionários gravem alunos em dispositivos pessoais, e essa regra não deixa de valer por a app funcionar offline.
O RGPD e as criançasAs crianças têm uma proteção específica, e a gravação da voz de uma criança constitui dados pessoais com características biométricas. Reduzi-la ao mínimo e apagá-la sem demora são as salvaguardas óbvias.
A FERPA, nos Estados UnidosOs registos educativos partilhados com um fornecedor ao abrigo da exceção «school official» exigem em geral que a escola mantenha o controlo direto. Uma ferramenta que não recebe nada nem sequer cria esse problema.
O consentimento, e quem o dáPara um menor, normalmente os pais ou o tutor legal, por vezes também o aluno, consoante a idade e a jurisdição. Um «sim» dito no momento não é um registo de consentimento.
Proteção de crianças e jovensSe uma gravação contiver uma revelação, o procedimento de proteção de crianças e jovens assume o controlo de imediato e por inteiro. Segue-o. A gravação passa então a ser prova e fica nas mãos do procedimento, não nas tuas e de uma app.
Prazo de conservaçãoAs escolas têm prazos de conservação definidos. Uma transcrição num telemóvel pessoal fica fora deles, o que é uma razão para a passar depressa para o sistema da escola e apagar a cópia local.

Na dúvida, não graves a criança. Ditar depois a tua própria nota dá-te quase todo o valor e risco nenhum.

A frase para a convocatória, ou para o início da reunião
Vou gravar esta conversa para que as minhas notas fiquem rigorosas. A gravação fica no meu telemóvel, não vai para nenhuma empresa e é apagada assim que eu tiver passado a limpo o que ficar combinado. Se preferirem que não grave, tomo notas à mão.

Quando há um aluno na conversa, esse parágrafo não chega por si só. Pergunta primeiro ao teu encarregado da proteção de dados e ao teu responsável pela proteção de crianças e jovens, todas as vezes.

Configurar a app para um ano letivo

Quatro passos, e o primeiro é uma conversa.

  1. Pergunta primeiro ao EPD e ao responsável pela proteção de crianças e jovens. A frase útil é: a app corre o modelo de voz no dispositivo, nada é enviado e o rótulo de privacidade da App Store diz «Dados não recolhidos». Depois pergunta o que a escola permite, e cumpre-o.
  2. Descarrega um modelo no Wi-Fi da escola, enquanto está a funcionar. São vinte e um modelos, de cerca de 75 MB a 7 GB, e quatro perguntas na app indicam-te o modelo certo. Depois do primeiro descarregamento, a app nunca mais precisa de rede, o que na maioria dos edifícios escolares é um alívio.
  3. Começa pelos usos sem alunos. A tua própria reflexão, reuniões de departamento, notas de planificação. Habitua-te à app aí, antes de haver em cima da mesa alguma coisa que envolva uma criança.
  4. Cria o hábito de apagar uma vez por semana. Nada se apaga sozinho, porque não há nenhum servidor a gerir uma política de conservação. Escolhe um dia, passa o que interessa para o sistema da escola e apaga o resto.

O dispositivo passa a guardar dados pessoais de crianças, o que quer dizer que lhe são aplicáveis as exigências da escola para dispositivos móveis: código do dispositivo, Face ID, bloqueio automático, encriptação e um plano para o caso de se perder. Se isto te parece pesado, a sensação está certa.

Quando o Just Transcribe é a ferramenta errada numa escola

Seis casos, e o primeiro é o que mais importa.

  • Não torna aceitável gravar uma criança. A pergunta mais difícil desta profissão não é técnica, e uma app offline não responde a nenhuma parte dela. Onde as regras dizem que não, a resposta é não.
  • Sem legendas em direto. A transcrição é feita depois da gravação, por isso não consegue legendar uma aula em tempo real para um aluno surdo. É uma necessidade real de acessibilidade, e é outro produto.
  • Sem integração com nenhum sistema da escola. A app não escreve nada na plataforma de gestão de alunos, no sistema de NEE nem na plataforma de proteção de crianças e jovens. Exporta e cola, à mão.
  • Sem controlo por parte da escola. Uma escola não consegue configurá-la centralmente, impor a eliminação de gravações, auditá-la nem apagar o seu conteúdo à distância.
  • Sem partilha entre colegas. Sem sincronização, sem pasta partilhada. Um colega que te substitua na turma não consegue ver nada.
  • Não é um sistema de registo para a proteção de crianças e jovens. Se uma conversa se transformar numa revelação, o seu lugar é, de imediato, o sistema de proteção de crianças e jovens da escola, segundo o procedimento da escola.

Usada para as tuas próprias notas e para reuniões entre adultos, tira-te um peso real de cima. Usada para contornar as regras da escola sobre gravar crianças, é um processo disciplinar, só que com mais passos.

Respostas diretas

Posso gravar um aluno com esta app?

Só se a tua escola disser que podes, e muitas escolas dizem que, num dispositivo pessoal, não podes em circunstância alguma. O facto de a app ser offline tira o fornecedor da equação; não tira a questão da proteção de crianças e jovens, a do consentimento nem as regras da escola. Na dúvida, não graves a criança: dita depois a tua própria nota, o que te dá quase todo o valor sem exposição nenhuma.

A escola precisa de um contrato com a The Dutch Logic Co.?

Não, porque não há nada a contratar. A app nunca recebe dados de alunos, por isso a The Dutch Logic Co. não é subcontratante e, para este passo, não há acordo de partilha de dados. Quem trata do pagamento é a Apple, e nesse passo é ela a parte envolvida. A ficha técnica (em inglês) tem os pormenores, se o teu encarregado da proteção de dados os quiser ler.

Serve para legendar aulas para alunos surdos?

Não, e este é o ponto da página em que mais importa não haver enganos. A transcrição é feita depois da gravação, não em direto, por isso não consegue legendar nada em tempo real. Um aluno surdo precisa de legendagem em direto ou de um profissional de apoio à comunicação, e isso é outra solução e, muitas vezes, um direito previsto na lei. Não uses esta app como substituto.

Aguenta trinta crianças a falar ao mesmo tempo?

Não muito bem, e tu também não. Lida bem com uma pessoa, razoavelmente com uma reunião pequena e mal com uma sala de aula barulhenta. A função Melhorar áudio ajuda com uma voz baixa ou com um ruído grave de fundo, e pode ser desfeita, mas uma sala grande com eco e trinta alunos está para lá do que qualquer modelo de voz consegue. Grava-te a ti a dar a aula, e não a turma a responder.

E se um aluno revelar algo grave numa gravação?

O procedimento de proteção de crianças e jovens da tua escola assume o controlo de imediato e por inteiro, e nada nesta app muda isso. Segue o procedimento, informa o responsável designado pela proteção de crianças e jovens e entrega o material da forma que as regras da escola exigem. Não o guardes na gaveta, não o apagues com boas intenções e não deixes que as funções de privacidade de uma ferramenta se tornem uma razão para guardares alguma coisa só para ti.

Próximo passo

Começa onde não há alunos envolvidos: a tua própria reflexão depois de uma aula, dita a caminho da sala de professores. Se um período de notas pesquisáveis se revelar útil, a conversa com o teu encarregado da proteção de dados sobre o que for mais sensível merece ser feita como deve ser.

Ou antes: Como funciona a privacidade avançada · A ficha técnica completa (em inglês)

Escrito pelo programador, e não é aconselhamento jurídico nem em matéria de proteção de crianças e jovens. Desenvolvo o Just Transcribe. Gravar numa escola depende das regras da tua escola, do parecer do teu encarregado da proteção de dados e, em muitos países, de leis específicas sobre crianças. Antes de gravares um aluno ou um encarregado de educação, pergunta.

Escrito a 26 de setembro de 2026 e atualizado a 3 de outubro de 2026 para o Just Transcribe 1.36. Números e fontes na ficha técnica (em inglês).